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E se aprender fosse um jogo?


Francisco criou uma startup para aprender a sério a brincar

Vamos ser honestos: quantos de nós já olhámos para um teste de matemática como quem olha para um manual de instruções em mandarim? Francisco Pires de Miranda não só passou por isso, como decidiu fazer alguma coisa a respeito. Foi direto ao problema e criou a Class of Wonders, uma startup portuguesa que está a levar gamificação às salas de aula para as tornar mais eficazes e sim, mais inclusivas.

Francisco não era propriamente o aluno que os professores usavam como exemplo. Engenheiro formado pelo Técnico, hoje com uma carreira de sucesso que passou pelos EUA e por multinacionais, admite que tudo isso só foi possível graças a “segundas, terceiras, quartas e até quintas oportunidades”. Ou seja, o típico “mau aluno” que afinal só precisava de um sistema de ensino menos quadrado.

Foi precisamente com base na sua experiência que decidiu criar ferramentas que ajudam a aprender de outra forma, com jogos. E não são jogos só para entreter. São pensados para desenvolver competências em literacia e numeracia, ou seja, nos básicos de português e matemática, respeitando o ritmo e o ponto de partida de cada aluno.

A ideia nasceu durante o seu trabalho como voluntário, onde experimentou abordagens inovadoras de estudo usando game design e pedagogia alternativa em mais de 1000 escolas, espalhadas por 10 países. Resultado? Uma metodologia que sobreviveu ao teste do tempo, das culturas e dos sistemas educativos. Hoje, a Class of Wonders opera em Portugal, Espanha e Brasil e está só a “começar”.

Francisco defende que esta abordagem não é uma revolução contra a escola, mas uma evolução com base no que já sabemos que funciona: os jogos. Porque nos jogos, progredimos, colaboramos, superamo-nos. Porque o erro faz parte do processo, e ninguém nos reprova por não passarmos o nível à primeira.

Ao trazer esta lógica para o ensino formal, Francisco e a sua equipa estão a ajudar a respeitar a individualidade de cada aluno, algo que a pedagogia tradicional tem tentado, com resultados… bem, nem sempre brilhantes. O que a Class of Wonders propõe é simples: tornar a aprendizagem natural, envolvente e inclusiva.

Por isso, da próxima vez que alguém disser “as crianças só querem jogar”, talvez devêssemos responder: Ainda bem.

Fonte: Expresso, Podcast “O Futuro do Futuro” – 1 de Julho de 2025

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