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A Arte de Incluir Mundos

Este é um espaço onde a vivência em arte-terapia se revela como linguagem de acolhimento e transformação. Aqui, cada traço, cor ou forma é um convite para o encontro e para a expressão criativa com liberdade. Nesta coluna, celebramos o potencial da criação através da arte como caminho para a inclusão — um lugar onde todos os mundos cabem e novos mundos são construídos ou descobertos.

Comunicar é preciso. Abre o teu coração!

A voz do coração, nas suas várias emoções, precisa de ser expressa. Mas quando as palavras falham e é difícil dizer o que se sente, a imagem pode ajudar na comunicação. Por vezes, é o gesto que fala, o pincel que grita e o traço que sussurra. Na arte-terapia, a comunicação liberta-se da gramática e ganha novas formas: cores, linhas, texturas.

A criação torna-se uma ponte entre os sentimentos e o mundo, que precisa de ouvir o que vem de dentro, com ou sem palavras. Mais do que a imagem final, importa o processo da sua construção, vivido num ambiente seguro e numa relação terapêutica de qualidade. É essa relação que sustenta e acolhe diferentes formas de expressão.

É no silêncio da criação que se escutam verdades abafadas. Uma criança desenha um sol cor-de-rosa e um Pai Natal. Um adulto molda a saudade e os medos em argila. Aquilo que não se sabia dizer em palavras começa, enfim, a ganhar forma. A arte não exige que se fale bem, apenas que se sinta. E quando o sentir é permitido, o diálogo acontece.

Um desenho, que é apenas um risco ou uma simples mancha, contém significados profundos. A mão que desenha responde ao que vai no interior. O desenho nasce de dentro, mesmo quando é automático. Na verdade, quanto mais espontâneo, mais próximo está das emoções. Mesmo quando há dificuldades cognitivas ou emocionais, a imagem não engana nem mente. É a verdade do seu criador.

Falar sobre o que se pensa e sente faz parte do processo terapêutico. A reflexão traz compreensão à criação e ao próprio criador, como um espelho. Mas, apesar disso, a expressão artística espontânea tem mais valor do que as palavras em arte-terapia, quando se trata de libertar sentimentos reprimidos. Quando a narrativa verbal não é possível, há ainda o encontro entre criador e materiais, o experimentar, o construir, o sentir. Tudo isso é apoiado pela presença do arte-terapeuta. Afinal, a comunicação mais importante é consigo mesmo.

Quando crianças com dificuldades na expressão verbal desenham, acedem à sua capacidade criativa e transformadora. A expressão — seja verbal ou não verbal — é essencial para a autoestima. Quem consegue exprimir-se sente-se mais livre, mais presente na vida. Às vezes, as narrativas são subtis e delicadas, mas nunca superficiais. Não há certo ou errado na arte, como não há forma certa ou errada de comunicar.

Jovens, adultos e idosos comunicam melhor através da arte. Ao criar e explorar materiais, cores e formas, sorriem, emocionam-se e por vezes choram. Entregam-se ao processo e desejam mostrar o melhor de si. Não há julgamentos. Há beleza, e ela pertence ao mundo de todos nós. Porque, no fundo, comunicar é tocar o outro com os nossos sentimentos.

Daniela Martins é arte-terapeuta e psicoterapeuta. Trabalha com pessoas de todas idades, desde de crianças aos idosos, proporcionando momentos criativos e estimulando o encontro com o melhor delas próprias. Investe na arte e na criatividade como formas de afeto e saúde mental.

Daniela Martins

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