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Inclusão: Uma Comédia (Muito) Humana


Diz-se que rir é o melhor remédio. Mas quando o assunto é inclusão, há quem ache que o tema é demasiado sério para piadas. A esses dizemos: relaxem! Ninguém aqui está a fazer stand-up sobre acessibilidades em prédios sem elevador, apesar de ser trágico-cómico. O humor não é inimigo da seriedade, é uma ferramenta poderosa para abrir olhos, corações e, com sorte, umas portas automáticas também. Vamos começar pelo básico: a inclusão não é um favor. Não é um “presente” das instituições para as pessoas com deficiência. Inclusão é, basicamente, o mínimo. É garantir que todas as pessoas, com ou sem deficiência, consigam viver a sua vida com dignidade, acesso e, imagine-se, até com prazer! E aqui é que está a ironia: muitos ainda acreditam que inclusão é colocar uma rampa. Uma. Uma única rampa e está feito, palminhas. Mas já pensaram que talvez a pessoa com mobilidade reduzida também gostasse de ir ao cinema, ao restaurante ou, audácia, trabalhar? É que se a rampa só dá acesso à recepção, e o resto do edifício é um labirinto de degraus, então mais vale construir um escorrega para o sarcasmo escorrer com estilo. Depois temos a linguagem.  “Pessoa especial”. “Portador de deficiência”. “Inválido”. Quem é que anda a distribuir estes termos, a Madre Teresa? Gente, se há algo que as pessoas com deficiência não querem ser é tratadas como cristais de Boémia. São pessoas. Normais. Com vidas que incluem séries da Netflix, contas para pagar e uma capacidade sobrenatural de aturar comentários absurdos.

A cereja no topo do bolo é a ideia de que a deficiência define a pessoa. Como se o João fosse “o ceguinho”, a Rita “a que anda de cadeira”, e o Manel “o coitadinho”. Não, meus caros. O João é um músico brutal, a Rita dá baile nas redes sociais, e o Manel já viajou mais do que tu com as tuas férias de três dias no Gerês. Inclusão é deixar as pessoas serem quem são, não um rótulo, mas um universo. Por isso sim, vamos rir. Vamos rir das frases feitas, dos acessos inacessíveis, dos burocratas que acham que uma placa a dizer “acessível” é o suficiente. Porque, quando conseguimos rir juntos, também conseguimos construir juntos. Um mundo onde cada um entra pela porta da frente, de preferência, automática e sem degraus.

E agora que desabafámos, deixo-te uma pergunta: o que é que tu estás a fazer, mesmo que seja pequeno, para tornar o mundo mais inclusivo? Não vale dizer “partilho uns posts no Insta”. Bora fazer barulho, e se for a rir, ainda melhor.

FG


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