A Distração Coletiva e o Futuro (Pouco) Promissor – As Crónicas das 17h
Estamos a perder-nos no supérfluo e a hipotecar o essencial.
Vivemos na era da distração. Somos bombardeados com notificações, feeds infinitos e discussões acesas sobre o nada. Estamos mais preocupados com a nova tendência no TikTok do que com o futuro que estamos a construir. Marguerite Duras, com a sua lucidez inquietante, atirou-nos à cara uma verdade dura: “A sociedade está distraída do essencial (…). O futuro deve ser uma coisa horrorosa, vazia.”
E não é que ela tinha razão?
O essencial – a empatia, a comunidade, o respeito pelo outro, foi ficando para trás. Não porque desapareceu, mas porque nos convenceram de que não é prioritário. Enquanto discutimos qual o melhor filtro para a selfie, esquecemos que há pessoas que não conseguem sequer sair de casa porque a cidade não foi pensada para elas. Enquanto alimentamos guerras digitais sobre banalidades, ignoramos que há crianças a crescer sem acesso à educação inclusiva.
Estamos distraídos. E, pior, habituamo-nos a essa distração como quem se afunda num sofá confortável, sem reparar que está prestes a engolir-nos por completo.
Se não queremos um futuro “horroroso e vazio”, talvez esteja na hora de olharmos para o essencial. De desligarmos o barulho e ouvirmos as histórias de quem está à nossa volta. De perguntarmos: “O que posso fazer para tornar este mundo menos absurdo e mais humano?”
Se a resposta for “nada”, então Marguerite Duras acertou em cheio.
Joaquim Valente – “Já fomos melhores do que isto, não fomos?”
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