ARTIGOS

Vamos fazer da inclusão um hábito?

Quando falamos de inclusão, a primeira coisa que vem à cabeça é acessibilidade para pessoas com deficiência. Rampas, elevadores, Língua Gestual… tudo isso é essencial, mas há tantas outras formas de inclusão que são constantemente esquecidas! Vamos dar um passeio por esse mundo menos óbvio da inclusão? Vivemos numa era digital, mas já pensaste que nem toda a gente tem acesso a um computador ou à internet? Em pleno século XXI, a exclusão digital ainda é real. Pessoas idosas, quem vive em zonas rurais ou comunidades desfavorecidas muitas vezes não têm as ferramentas ou os conhecimentos necessários para navegar na internet. E não, dar um tablet à avó sem explicar como funciona NÃO conta como inclusão. O que podemos fazer? Criar cursos básicos de literacia digital (grátis e acessíveis, claro). Garantir que serviços públicos online não são um labirinto de cliques. Implementar acesso gratuito à internet em espaços públicos (e não apenas para quem sabe onde está a senha do café).

Abrir uma conta bancária, pedir um empréstimo ou simplesmente fazer pagamentos online pode ser um pesadelo para quem não tem conhecimentos financeiros. Pessoas com deficiência, idosos, migrantes e até jovens que nunca aprenderam a gerir dinheiro na escola (obrigado, sistema educativo!) podem encontrar-se completamente excluídos do mundo financeiro. O que fazer? Criar materiais educativos acessíveis e fáceis de entender. Oferecer atendimento personalizado para quem precisa de apoio. Tornar os serviços financeiros mais inclusivos, evitando aquele vocabulário que parece ter sido escrito por um robôt. Portugal recebe milhares de imigrantes todos os anos, mas quantos deles têm acesso a informação crucial na sua língua materna? E nem vamos falar da falta de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa nos serviços públicos.


Comunicação acessível não é um luxo, é uma necessidade. O que podemos fazer? Disponibilizar serviços essenciais em várias línguas. Ter intérpretes de Língua Gestual em hospitais, tribunais e escolas. Usar legendas automáticas e audiodescrição nos meios de comunicação. Ainda há quem ache que depressão se resolve com um passeio na praia ou que ansiedade é só “uma fase”. O estigma em torno da saúde mental mantém muitas pessoas à margem do acesso a tratamento e apoio adequados.  Então o que fazer? Falar abertamente sobre saúde mental sem tabus ou preconceitos. Criar mais espaços de apoio psicológico acessíveis (e gratuitos, de preferência). Ensinar desde cedo que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.

Muitas empresas ainda hesitam em contratar pessoas com deficiência, migrantes ou até mães que precisam de flexibilidade para cuidar dos filhos. E nem falemos dos idosos que querem continuar a trabalhar e são descartados como se fossem relíquias do passado. O que podemos fazer?  Criar ambientes de trabalho mais flexíveis e adaptáveis. Apostar na diversidade como um trunfo e não um problema. Acabar com os preconceitos sobre a produtividade de certas pessoas.

Quantas vezes as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida chegam a um evento e percebem que não há acessibilidade mínima? E que tal pensar nos pais de crianças com autismo, que evitam sair porque o mundo não está preparado para elas? O que fazer? Criar espaços de lazer adaptados a diferentes necessidades. Oferecer alternativas sensoriais para pessoas neurodivergentes. Garantir que festivais, museus e teatros são acessíveis a TODOS.

Incluir não é só construir rampas ou pôr legendas nos vídeos (embora isso ajude muito). É perceber que cada pessoa tem necessidades diferentes e que todas merecem viver numa sociedade que as acolha. E a melhor parte? Todos ganhamos quando tornamos o mundo mais inclusivo. Vamos fazer da inclusão um hábito e não uma exceção?


A foto que acompanha este artigo é da autoria de Santiago Sauceda González, retirada do site Pexels.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *