NOTÍCIASSensibilização

Levantar dinheiro com segurança e inclusão

Novas regras do MB WAY já arrancaram e levantam dúvidas… de acessibilidade.

Este sábado traz novidades para quem usa o MB WAY para levantar dinheiro. A partir de agora, já não basta introduzir um código de seis dígitos: é preciso autenticar com biometria (impressão digital ou reconhecimento facial) ou com o PIN da app. Parece coisa simples, mas… será mesmo assim para toda a gente?

A SIBS, responsável por estas alterações, diz que o objetivo é reforçar a segurança dos utilizadores e travar as fraudes. Até aqui, tudo bem. Mas quando falamos de inclusão digital, temos de ir mais fundo. Porque nem todas as pessoas têm acesso fácil ou cómodo a smartphones com reconhecimento facial. E há quem, por questões de deficiência ou limitações motoras, não consiga usar facilmente estes métodos de autenticação.

Por exemplo, e quem tem mobilidade reduzida nos dedos? E quem tem deficiência visual e precisa de usar leitores de ecrã para navegar nas apps? As mudanças tecnológicas, por muito bem-intencionadas que sejam, precisam sempre de um olhar mais atento sobre acessibilidade e equidade. Porque tornar algo mais seguro não pode tornar a experiência mais difícilpara quem já enfrenta barreiras diariamente.

A app MB WAY é, para muitas pessoas com deficiência, uma ferramenta prática que evita deslocações, filas e complicações. Mas só continua a sê-lo se as alterações forem pensadas com design universal – isto é, útil para todos, independentemente das suas capacidades.

Por isso, este é o momento ideal para repensar: será que a segurança digital pode (e deve) caminhar de mãos dadas com a inclusão digital? Será que a tecnologia bancária em Portugal está verdadeiramente preparada para todos os utilizadores? A resposta não pode ser “eventualmente”. Tem de ser agora.

A boa notícia? Já há passos positivos nesse caminho. As caixas multibanco estão a tornar-se mais inclusivas e acessíveis, com várias melhorias pensadas para todos:

– Letras maiores e ícones mais visíveis, para quem tem dificuldades de leitura.
– Opções de áudio com instruções, através de entrada para auriculares.
– Botões táteis e menus redesenhados, mais intuitivos e fáceis de navegar.
– Ecrãs com brilho ajustável, para quem tem sensibilidade ou baixa visão.

Sim, o caminho é longo — mas pelo menos já se está a andar na direção certa. Agora, falta garantir que todas estas melhorias chegam a todas as máquinas e que quem mais precisa sabe que elas existem. A inclusão também se faz nos pequenos gestos do dia-a-dia. E levantar dinheiro sem barreiras é um deles.

Fonte: RFM.pt
Foto: Expresso.pt

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